04/08/2015

Gal Costa - LeGal (1970)


Porta-voz local do tropicalismo exilado, em Legal, Gal Costa lançou duas de Caetano Veloso e duas de Gilberto Gil. Além das já citadas faixas do compacto, estão no repertório o frevo “Deixa sangrar”, título que Caetano, por deglutição modernista, cunhou traduzindo o “Let it bleed” de Rolling Stones, e “Língua do P”, tema em que Gil encarou o desafio, sem precedentes, de escrever uma letra no antigo idioma cifrado e lúdico. 

Legal chega perto da experimentação dos trabalhos anteriores de Gal Costa justamente na faixa que abriga a segunda composição mais antiga do repertório. Em “Acauã”, baião de Zé Dantas lançado em 1952, há espaço para vocalizações ousadas com acompanhamento do trio poderoso liderado pelo guitarrista Lanny. Composto em 1944 por Geraldo Pereira, o samba “Falsa baiana” fecha o disco com um tributo a João Gilberto. Cantando a introdução de “Meditação”, Gal reproduz o vocalize de João para este clássico de Tom Jobim e Newton Mendonça no início da última faixa.


Como se não bastasse tanto conteúdo, Legal tem uma das mais belas capas da discografia brasileira. Assinada pelo artista plástico Hélio Oiticica, retrata a cantora com cabeleira formada por colagem de fotos em preto e branco, um visual próprio da fase conhecida como desbunde da qual participou ativamente o colunista José Simão. Ativamente é modo de dizer. Convidado do programa Os dois lados do disco, da Rádio Cultura, para comentar Legal, Simão declarou que no começo daquela década não fazia nada, só fazia a cabeça: batia ponto nas dunas da Gal, vulgo dunas do barato, em Ipanema, bolava capítulos de seu livro Folias brejeiras, aplaudia o pôr-do-sol e, à noite, em caravana, ocupava cadeira do Teatro Tereza Raquel para assistir ao Gal a todo vapor. (Fonte: Rádio Cultura Brasil)


Vídeo do álbum completo no youtube: